Centro Ambiental da Pena

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Algumas imagens do Sítio Classificado da Rocha da Pena

 

O Sítio Classificado da Rocha da Pena localiza-se nas freguesias de Salir e Benafim, no concelho de Loulé, e estende-se por uma área de 637  hectares.

Afloramento rochoso notável, a Rocha da Pena é na verdade uma cornija calcária, isto é, um maciço escarpado longo e aplanado, com cerca de 50 m de altura, e que se estende por cerca de 2 km.

No seu ponto mais alto (assinalado com um marco geodésico = talefe) a cota é 479 m, do alto do qual se pode avistar um panorama notável, a sul até ao mar, e a norte pelo ondulado da Serra (Caldeirão).

Visível de vários pontos das  freguesias de Salir Benafim, foi declarada "Sítio Classificado" em 1993 devido às suas fauna e flora únicas e ao facto de ser um afloramento calcário quase isolado na zona dos xistos do Carbónico(300-400 milhões de anos).

 

Geologia

Ao longo dos anos, a acção da água na rocha calcária levou a formação fendas que  vieram mais tarde originar diversas a grutas, algumas das quais com grandes dimensões,  num processo designado de carsificação . O Algar dos Mouros, a maior gruta existente na zona abriga uma grande população de espécies de morcegos, nomeadamente de morcegos-de-peluche.

 

Flora

O Sítio Classificado é fundamentalmente constituído por terrenos calcários, porém, na sua vertente nordeste os calcários dão lugar aos xistos já na transição para a Serra, e também a uma vegetação diferente.

Assim, enquanto no lado e no seu topo podemos observar encostas cobertas de maquis e garrigue - matos ou matagais, que albergam muitas espécies de Orquídeas, dos géneros Orchis e Ophys. É também aqui que podemos encontrar os graciosos e delicados narcisos — na Rocha da Pena existem duas espécies  - Narcisus gaditanus e o Narcisus calcicola — este último mais raro.

 

Por sua vez, na encosta norte as espécies nativas do género Cistus (família da esteva ) constituem a vegetação arbustiva dominante nas zonas de xisto, destacando-se o Estevão (Cistus populifolius) - um parente próximo da vulgar mas bonita Esteva (Cistus ladanifer). Mais sombria e  mais húmida, esta zona é domina pelo generoso sobreiro, albergando algumas espécies menos comuns, como sejam o exuberante Urze-branca (Erica lusitanica) e o Loureiro (Laurus nobilis).

 

Na Rocha da Pena estimam-se ocorrerem cerca de 390 espécies de plantas, sendo algumas delas medicinais ou aromáticas, algumas das quais endémicas, isto é que apenas aqui ou em áreas geográficas muito restritas. Destacam-se a Rosa -albardeira (Paeonia broteroi), pela sua beleza, a Bellevalia hackelii, o Allium pruinatum — espécies endémicas no Algarve, a Milfurada (Hypericum perfuratum), o Alecrim (Rosmarinus officinalis).

 

Fauna

Relativamente à fauna, salienta-se a presença de aves de rapina, nomeadamente, a Águia-de-Bonelli e a Águia-de-asa-redonda. Existem também muitas outras espécies como o abelharuco, que escava o seu ninho nos taludes dos terrenos, o Pica-pau-malhado-grande, e os chapins, entre outros. Existem, ainda, pequenos mamíferos como a gineta, o saca-rabos, os coelhos e os ouriços e mamíferos de maiores dimensões como os javalis.

 

Património

Na área do Sítio Classificado possui algum património construído, de grande interesse, como sejam os dois amuralhamentos de pedra, existentes no topo da Rocha da Pena, que se julga remontarem à Idade do Ferro e que terão sido utilizados outrora como estratégia de defesa. No topo da Rocha da Pena, existe ainda uma gruta que é conhecida localmente como o Algar dos Mouros, e na qual se conta que aqueles se terão refugiado aquando da reconquista de Salir por D. Paio Peres Correia.

Na aldeia da Penina existe um portal em arcada e uma chaminé datada de 1827. Ligados à utilização agrícola, podem observar-se ainda dois moinhos de vento, conhecidos como os moinhos da Pena.

 

Foto

Área Protegida

Sítio Classificado

Erica lusitanica